Quinta-feira, Julho 13, 2006

 

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http://acausahumana.civiblog.org

Sexta-feira, Junho 09, 2006

 

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O [em nome próprio ] a partir de agora mora aqui. Obrigado a todos.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

 

Untermenschen

Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, foi detido esta terça-feira, após uma reportagem emitida pela RTP, onde defendeu a ideologia de extrema-direita e o uso de armas, disse fonte ligada ao processo. [fonte: SIC ONline] Em casa do suspeito foram ainda apreendidas munições, um aparelho de choques eléctricos e uma "besta". O dirigente da Frente Nacional afirmou que vários simpatizantes possuem o mesmo tipo de material e que estão "preparados para o usar quando for preciso". Nas imagens captadas pela equipa da RTP~, Mário Machado mostrava uma espingarda automática enquanto dizia que os membros do movimento de extrema-direita não permitirão que em Portugal se passe o mesmo que em França. O dirigente da Frente Nacional vai ser presente ao juíz esta quarta-feira de manhã no Tribunal de Instrução Criminal. Forças de segurança: PNR de extrema-direita presente em manif O Partido Nacional Renovador, conotado com a extrema-direita, anunciou que se fará «representar» na manifestação de profissionais das forças de segurança que se realizará quarta-feira, em Lisboa, o que está a gerar «perplexidade» aos organizadores do protesto. [fonte: Diário Digital / LUSA]
«Os Nacionalistas entendem que as forças da ordem e segurança são um dos pilares fundamentais de uma Nação. São elas que garantem a soberania, a autoridade e a segurança das pessoas e do Estado. Não é, por isso, concebível, que esse mesmo Estado as maltrate, despreze e desautorize», alega o PNR no seu «site» na Internet. A Comissão Política Nacional do PNR defende que «se criem as condições e meios de trabalho dignos para esta profissão de risco e desgaste rápido». Estes são alguns dos principais argumentos que o PNR apresenta para justificar a sua presença na manifestação de quarta-feira de profissionais das forças de segurança. «Estaremos presentes - oficialmente representados e identificados - na manifestação de polícias do próximo dia 7 de Junho», informa o «site» do PNR. A manifestação de quarta-feira foi convocada pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) de Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança, para exigir melhores condições laborais e sociais, assim como mais diálogo com o Governo. A CCP é constituída por representantes da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima (ASPPM), Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF/SEF) do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). Solicitado a comentar o anunciado apoio do PNR ao protesto de quarta-feira, o coordenador da CCP e presidente da APG, José Manageiro, manifestou à agência Lusa «perplexidade» face à situação. «A CCP decidiu promover a manifestação e definiu os termos em que se realiza, os objectivos da mesma e os princípios que a inspiram, unicamente em defesa dos profissionais das forças de segurança. Somos alheios a quaisquer outras movimentações e interesses», observou José Manageiro. «A manifestação de quarta-feira» - acrescentou - «contará com bandeiras e símbolos das nossas organizações, assim como faixas e palavras de ordem alusivas à dignificação e às reivindicações dos profissionais das forças de segurança». «Se surgir na manifestação qualquer símbolo ou palavra de ordem alheio às organizações e aos princípios dos profissionais das forças de segurança, a CCP fará uma avaliação e agirá em conformidade. Há mecanismos legais para fazer valer os nossos princípios», salientou. O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) não integra a CPP, m as anunciou o seu apoio à manifestação convocada para quarta-feira em Lisboa. Solicitado também a pronunciar-se sobre a anunciada presença do PNR no protesto, o presidente do SPP, António Ramos, disse: «Não temos nada a ver com essa organização, nem com essa gente».
História portuguesa X [fonte: SAPO] Os primeiros movimentos ditos "neonazis" surgem em Portugal em meados dos anos 80. Fundado em 1986 e extinto em 1992, o Movimento da Acção Nacional (MAN) foi um dos movimentos de extrema-direita portuguesa que mais protagonismo mediático assumiu, nomeadamente, devido às sua estreita ligação com grupos skinhead. Na sua ideologia, na simbologia usada (incluindo símbolo e bandeira do MAN, com referências à bandeira nazi, mas utilizando a cruz celta), esta organização marcou uma ruptura com a tradição da extrema-direita portuguesa pós-25 de Abril em Portugal, adoptando os modelos, as atitudes e a estética dos movimentos neonazis que um pouco por toda a Europa despontavam, com uma forte ligação às claques de futebol, e uma ideologia a meio caminho entre o assumidamente fascista e nazi, e o "tempero" proletário e arrivista de alguns grupos skin. De facto, o MAN e os jovens skinheads do Bairro Alto não correspondiam mais à imagem tradicional da direita portuguesa, militarista, católica e patriarcal. Já não estamos a falar de coronéis na reserva e missas a Salazar, mas de jovens de classe média-baixa, que expressavam a sua revolta numa ideologia extrema. A Ordem Nova, organização de extrema direita de linha mais tradicional, operou de 1978 a 1982 (não confundir com a posterior Nova Ordem Social, um precursor do MAN) e usava como logotipo e bandeira uma combinação evidente da Cruz da Ordem de Cristo, a vermelho, num circulo branco sobre fundo azul, numa alusão velada à bandeira nazi, cruz negra sobre circulo branco, sobre fundo azul.
Morte aos comunistas... Outubro de 1989. Sede do Partido Socialista Revolucionário, o PSR. Um grupo de skinheads envolve-se numa cena de pancadaria com alguns membros do PSR. Da escaramuça, resultou a morte de um dirigente do partido, José Carvalho. Três membros do partido foram igualmente feridos. O crime levou ao bando dos réus oito dos skinheads envolvidos. O caso subiu até ao Supremo Tribunal de Justiça, que condenou Pedro Grilo, autor material do crime, a 11 anos de prisão, e Américo da Silva, a 7 anos, tendo confirmado a pena a mais três arguidos.
... e aos estrangeiros, e aos negros Em Dezembro do mesmo ano, 16 skinheads assaltam violentamente, num centro comercial do Porto, dois cidadãos galegos. Na mesma noite, o grupo espanca e ata à linha de caminho de ferro, Francisco Faustino, um cidadão angolano. Felizmente para Faustino, nesse dia houve uma greve da CP. Doze elementos do grupo foram levados a tribunal. Quatro foram absolvidos, e seis condenados a uma pena máxima de 15 meses e multas insignificantes. José Faustino, o angolano espancado, não recebeu qualquer indemnização pelos maus tratos recebidos. Em 1991, os "cabeças-rapadas" atacam um agente da PSP de origem africana e seus familiares. Seriam amnistiados, não cumprindo qualquer pena.
Noite negra no Bairro Alto Chegamos ao dia 10 de Julho de 1995. Depois de um jantar em Cacilhas, um grupo mais de 20 skinheads ruma ao Bairro Alto, determinados a arranjar confusão. E vão tê-la no cruzamento da Rua Garret com a Rua Ivens, onde encontram e espancam com violência Alcindo Monteiro, um cidadão cabo-verdiano. Equipados com soqueiras, paus e garrafas, agridem Alcino e outros cidadãos africanos aos gritos de "morte aos pretos" e "Portugal é nosso". Alcino não sobreviverá às múltiplas lesões e morrerá dois dias depois, no Hospital de São José, em Lisboa. Do grupo do Bairro Alto, 17 seriam presentes a tribunal, sob acusações de crime de genocídio, ofensas corporais e um crime de homicídio na pessoa de Alcindo Monteiro. O julgamento duraria quatro meses. Os arguidos seriam condenados a penas entre os 14 e 18 anos de prisão, mas absolvidos da acusação de genocídio, pelo Tribunal Criminal de Lisboa. No ano passado o processo voltaria ao tribunal da Boa Hora, onde o advogado de defesa do principal arguido, Tiago Palma, acusado de homicídio, recorre da sentença introduzindo mais três testemunhas no processo.
Bandeiras nazis nos estádios? Tal como tem vindo a acontecer por toda a Europa, Portugal não escapa ao fenómeno da propaganda neonazi e extremista nos estádios de futebol. O mais recente caso de exibição de insígnias e bandeiras nazis pelas claques de clubes de futebol aconteceu em Itália, quando "Os Irredutíveis", a claque de extrema-direita do Lazio de Roma, exibiu faixas e cartazes de inspiração neo-nazi, enquanto simultaneamente homenageava Arkan, o criminoso de guerra sérvio recentemente abatido. Em Portugal, a moda vem de há já alguns anos, e bandeiras das Waffen SS, suásticas e cruzes celtas podiam ver-se no meio das claques de alguns dos principais clubes da Liga. O fenómeno só começou a merecer a devida atenção quando, em Maio de 1996, um espectador morreu na final da Taça de Portugal. No entanto, para actuarem, as autoridades desportivas necessitam de legislação específica aplicável, o que não existe. De momento existe apenas uma recomendação não vinculativa da UEFA, no sentido de os delegados dos jogos exigirem junto da polícia a retirada de todos os símbolos de índole racista ou nazi dos estádios, mas a UEFA só pode actuar nas competições internacionais. A nível nacional, só as federações, no caso português a Federação Portuguesa de Futebol ou a Liga de Clubes, podem implementar sanções. Até à data, a actividade das claques tem sido ignorada e entendida como simples entusiasmos juvenis e exibicionismo. Mas a verdade é que a mediatização do fenómeno, através das transmissões televisivas, torna o futebol o meio de propaganda ideal para movimentos neonazis organizados.
PRD pode "renascer" como partido de extrema-direita Dois movimentos de extrema-direita portugueses, a Frente de Direita Nacional (FDN) e a Acção da Frente Nacionalista (AFN) podem unir-se para criar um novo partido político com base no antigo Partido Renovador Democrático (PRD). Este novo partido, que iria assim ocupar o espaço político à direita do PP de Paulo Portas, não terá do partido original de Ramalho Eanes nada mais do que a identidade legal e o nome. O principal ideólogo deste projecto é Jaime Coutinho, dirigente da FDN, que mantém contactos com a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen, e chegou mesmo a receber este último no Porto.
Movimentos Europeus British National Party Home Page
O British National Party luta pela pureza e pelos direitos da raça branca. Organização de extrema-direita, apoia formalmente Haider e condena a União Europeia. Outro dos slogans, bem mais prosaico, clama "Buy Brithish Beef!". Front National
Site oficial da Frente Nacional Francesa, o partido de Jean-Marie LePen. "Uma França francesa, numa Europa Europeia". Vlaams Blok
Movimento ultra-nacionalista Flamento, luta pelos direitos dos nacionalistas flamengos, contra a hegemonia dos valões (belgas de língua francesa) na política belga. Site em flamengo. Alleanza Nazionale
Site da Aliança Nacional Italiana, movimento de extrema-direita, liderado por Gianfranco Fini.
Partidos e organizações neonazis American Nazi Parti
Partido Nazi Americano. Anti-semita, luta pela supremacia da raça branca numa América pura e ariana. Simbologia assumidamente nazi. Final Conflict
Fanzine fascista e neo-nazi . Contem uma entrevista com os LUSITANOI, banda "skin" portuguesa. Nacional Socialist Movement
Movimento Nacional Socialista Americano (nazi). Luta por uma nova Ordem Mundial e pela supremacia da raça ariana. Declara que a integração racial é "ilegal". Luta pela "separação racial imediata". New Order
Luta pela instituição de uma Nova Ordem Mundial, que acabe com a miscegenação racial, as drogas, as SIDA, a poluição e o caos e corrupção em dominam a Velha Ordem. Vagamente messiânico. Movimentos segregacionistas pro-arianos Aryan Nations
Movimento americano que luta pela pureza da raça branca. A linguagem bíblica é utilizada para provar a supremacia da raça ariana (eleita por Deus)face a todas as outras. White Church of The Creator
Esta organização americana invoca a Guerra Santa contra os negros, os judeus e os mestiços, em nome da "herança biológica e cultural" da raça ariana. I Love White Folks
O nome diz tudo ...
Anti-Semitas JewWatch
A JewWatch tem como objectivo monitorizar as actividades das comunidades judaicas e sionistas em todo o mundo. "Com um sorriso satânico no seu rosto, o jovem judeu de cabelo escuro espera no escuro pela rapariga incauta para a macular com o seu sangue e assim a afastar do seu povo", afirma a JewWatch, citando Adolf Hitler no Mein Kampf. Nation of Europa
Movimento que luta pela "pureza racial" da Nação Europeia. Peoples Resistance Movement-The Christian Alternative
Movimento anti-semita determinado a levar a cabo uma guerra santa cristã contra os judeus e a sua conspiração mundial para instaurar uma ordem "satânica". Radio Islam
Movimento americano pro-islâmico que auto-proclama a luta contra o "racismo judeu" e a "propaganda sionista". Nation of Islam
Movimento islâmico que acredita na existência de uma conspiração sionista internacional para tomar conta de economia americana e mundial. Ku Klux Klan KKK.com
O KKK.com, é um dos muitos sites "oficiais" do Klan. Autodenomina-se um "museu virtual" para todos os que querem manter puras e não-adulteradas as tradições e a ideologia do Império Invisível. Traça a história do movimento desde a sua fundação por Nathan Bedford Forrest, general confederado, no final da Guerra Civil Americana. Contém um FAQ, e diversos links para delegações do Klan, e organizações supremacistas brancas. White Camelia Knights of the Ku Klux Klan
Site oficial dos White Camelia Knights of the Ku Klux Klan, organização que pretende rivalizar com o Klan original, na sua luta pela preservação de uma América, Branca, Cristã e Temente a Deus. Os Cavaleiros da Camélia Branca organizaram-se dois anos após a formação do primeiro Klan em 1867, e afirmam superar este em termos de afectos. A sua base de operações é o Texas. United White Klans
O UWK reclama-se de ser uma organização destinada à "protecção e ao progresso da Raça Branca e ca Cultura e Civilização ocidentais". O UWK é um organização "tradicional" que pratica os ritos tradicionais do Klan "tal como foram ensinados e praticados pelos seus antepassados". É simultaneamente uma "organização moderna que utiliza os meios e tecnologia actuais para combater os problemas actuais". Por fim, o UWK, afirma ser uma "organização democrática governada pelos seus membros"... The Alabama White Knights of the Ku Klux Klan Official Web Site
O nome diz tudo. Com uma indubitável veia lírica os Alabama White Knigts proclamam: " Thrice hath the lone owl hooted, And thrice the panther cried / And swifter through the darkness, The Pale Brigade shall ride. No trumpet sounds its coming, And no drum-beat stirs the air / But noiseless in their vengeance, They wreak it everywhere". Uma redundante scroll message enuncia a preocupação dos Alabama Knights com o "combate ao crime" e a "deportação de todos os mexicanos"... Church of American Knights of The Ku Klux Klan
Esta organização é simples e directa: "Be a Man, Join the Klan". Uma organização também voltada para o futuro e para o e-commerce, uma vez que promete: "Coming Soon. Order Your Favorite American Knights of the Ku Klux Klan Merchandise Online"...

Terça-feira, Maio 23, 2006

 

Descodificando o "Código Carrilho"

Estou meio ressacado ainda do “Prós e Contras” de ontem à noite na RTP que reuniu (força de expressão) Manuel Maria Carrilho e Emílio Rangel com José Pacheco Pereira e Ricardo Costa e que teve como tema central o recente livro de Carrilho, “Sob o Signo da Verdade” e que poderia chamar-se, a meu ver com toda a propriedade, “O Código Carrilho”. Por tudo. Devo confessar que não gosto de Manuel Maria Carrilho. Comecei por não gostar dele por causa do penteado e, com o passar do tempo, comecei a não gostar dele por muito mais coisas. A sua campanha eleitoral foi o golpe fatal nos resquícios de consideração que tinha ainda por ele. Bem sei que começo por ser preconceituoso pois um penteado não deveria ser motivo para se gostar ou não de alguém mas, debaixo desta capa de lucidez e imparcialidade (coisa que sempre detestei, a última) sou apenas humano, às vezes em demasia. De qualquer forma, o tempo veio a dar razão à minha primeira impressão. Mas porque é do debate de ontem que estou a tentar escrever, vamos então ao que interessa. Segundo Carrilho, este livro foca essencialmente o papel manipulador da Comunicação Social com enfoque específico no referente às campanhas eleitorais. O filósofo discorre nele acerca da conspiração de que considera ter sido alvo, aponta o dedo à SIC e às agências de comunicação, fala sobre interesses obscuros de notáveis ligados à construção na capital. Mas afinal de que fala Carrilho? Carrilho atribui a derrota eleitoral sofrida por época das eleições para a CML ao comportamento dos “media”. Para ele, o principal factor da sua derrota foi a manipulação de imagens, entrevistas, etc. a que as suas intervenções foram sujeitas. É farto em exemplos centrando-se no célebre episódio do aperto de mão (ou não) ao seu adversário Carmona Rodrigues. Segundo a sua opinião, foi “apanhado pelas costas” pois considera que o que foi demonstrado se tratava já do domínio privado uma vez que teria finalizado o debate. Diz Carrilho que não compreende o aparecimento de uma câmara dentro do estúdio, que sim, que a presença de jornalistas à saída é perfeitamente aceitável mas que a câmara, meu deus, a câmara, isso é que não! Câmaras pelas costas? Como vimos, a última câmara que Carrilho viu pelas costas foi a de Lisboa (não resisti…) e talvez não por este motivo. Segundo o ex-candidato a imagem do (não) cumprimento foi repetida até à exaustão pelo circuito televisivo e restantes órgãos de comunicação em detrimento do restante debate – o que é verdade: as imagens do (não) cumprimento tiveram uma audiência de cerca de 80% ao passo que o debate teve apenas 23%, mais coisa menos coisa, de audiência – o que se configura numa exploração de apenas parte de todo o processo em benefício da candidatura adversária. Esta constatação leva-nos a uma reflexão de extrema importância acerca de qual o verdadeiro papel da Comunicação Social na obtenção e “fabrico” de opinião. Ainda segundo o deputado do PS, terá sido ele próprio contactado por uma empresa de comunicação, uma agência, que pelas palavras de Carrilho, lhe terá oferecido um serviço de “compra de opinião”, serviço esse que terá recusado. Aparentemente, essa agência terá ido então trabalhar na campanha de Carmona Rodrigues o que lhe valeu o epíteto de “mercenária”, graça dada por Carrilho. Sabemos da existência dessas actividades e sabemos que existe, na prática, todo um trabalho de marketing, de fabrico de opinião, de lobbying mas ontem ficamos a saber também que estas agências, segundo o ex-candidato, compram também jornalistas. Isto configura essa actividade de uma forma completamente diferente e retira-lhe, compreensivelmente, muita da dignidade já de si relativa. Carrilho vai mais longe e afirma, apontando o dedo a Ricardo Costa, que este se “ajoelhou” completamente aos interesses destes, interesses promovidos por hábeis figuras “pardas” da capital, essencialmente ligadas à indústria da construção civil. Ou Carrilho delira numa teoria da conspiração ou então… Ricardo Costa defendeu-se como bem sabe e não deu ponto sem nó desvalorizando toda a actividade de campanha que, a seu ver, não foi conduzida de forma apropriada quer pelo staff de Carrilho, quer pelo candidato, apontando uma série de contradições no discurso deste último. A sua actuação foi coroada pela análise ao livro que Carrilho terá escrito no qual este não se coíbe de fazer as alterações que quer aos discursos previamente registados em debates, entrevistas, etc., alterações propositadas e de “lavagem” quer pela alteração pura e simples de frases, pela omissão de nomes, quer pelo aumento de frases que não surgiam na forma original. Apelidando esta forma de ver as coisas de Carrilho de “estalinista”, Ricardo Costa deu-se por satisfeito e recolheu-se.
Mais não diz, a não ser:

[Sic OnLine]

Já se disse quase tudo sobre o livro de Manuel Maria Carrilho, "Sob o signo da verdade". A teoria da cabala perpassa em todo o livro, juntando questões que merecem discussão com absolutas distorções. O caso do "não aperto de mão" é exemplar. Por ter sido um dos organizadores do debate, por ter feito a coordenação na régie e por ter tomado a decisão de colocar no ar o aperto de mão "falhado", cumpre-me explicar o seguinte: Há muitos anos que os debates televisivos são seguidos por equipas de reportagem nos períodos que os antecedem e no pós-debate. No dia do debate de Lisboa, Carrilho e Carmona forma recebidos por muitos jornalistas, da SIC, da TSF e de outros órgãos de comunicação social que estavam, exactamente, a acompanhar os dois candidatos num dia crucial. Os candidatos falaram com os jornalistas, sem qualquer problema, antes do debate e até ao momento em que as portas do estúdio se fecharam. Assim que o debate acabou, as portas do estúdio voltaram a abrir-se, para que os jornalistas e fotógrafos entrassem. Foi perante esses jornalistas que Carrilho decidiu não apertar a mão da Carmona. A SIC percebeu, de imediato, que essas imagens podiam marcar a campanha mas entendeu que era impossível não as divulgar: foram captadas de forma legítima por uma equipa de reportagem à frente dos dois candidatos e com muitas testemunhas (ainda as imagens não tinham sido emitidas). Mal saiu do estúdio, Carrilho foi confrontado pelos jornalistas sobre o facto de não ter cumprimentado Carmona. Não é verdade que Manuel Maria Carrilho me tenha tentado contactar nessa noite ou no dia seguinte. A seguir ao debate falei várias vezes com o seu director de campanha e nunca foi levantada a questão da "legitimidade" das imagens e da sua utilização.Estes são os factos. A interpretação de Manuel Maria Carrilho não é, de todo, verdadeira.

Ricardo Costa

Note-se, por favor, que esta não é uma sucessão cronológica das coisas, estas intervenções foram ocorrendo ao sabor do debate. A minha habilidade é que não dá para mais. Ora Emídio Rangel esteve por ali e ainda não compreendi bem a fazer o quê. O homem pautou o seu discurso pela constante afirmação de que estava lá para não se circunscrever à apreciação do livro mas também para denunciar o mau jornalismo que se pratica. Já vem tarde. E disse alguma coisa: falou da importância que as referidas agências têm nesse mau jornalismo – fornecem cerca de 80% das notícias - e da responsabilidade das redacções que diminuem o número de jornalistas, apontou o dedo a Ricardo Costa falando de uma suposta conspiração de que este estaria a par, denunciou as dezenas de jornalistas pagos por empresas participadas pelo Estado e que ninguém sabe o que lá andam a fazer. Este último ponto, interessante, ficou no ar. Como tudo o resto… José Pacheco Pereira pautou a sua intervenção pela análise ao livro – propriamente dita – e foi, na verdadeira acepção da palavra, a “estrela” da noite. Como é próprio em José Pacheco Pereira, moveu-se habilmente brandindo a única arma que trouxe para o “debate”, a objectividade. Tendo assente que tinha aceite o convite para “uma espécie de circo” por que não tem grande estima e que, embora o possa confrontar, admira Carrilho pela sua actividade académica e intelectual, abriu as hostilidades com uma premissa bastante importante para a discussão: tinha, realmente, lido o livro. E foi por ler o livro que começou por apontar uma leitura diferente, a de que o livro se trata na realidade de uma exposição a teorias conspirativas de “interesses obscuros” sem, no entanto, os nomear preto no branco. Um processo de intenções, portanto. Estou de acordo com Pacheco Pereira. Há que tratar os bois pelos nomes quando se revela ao mundo semelhante conspiração contra quem quer que seja. Mas Carrilho não o fez. Nem no livro, nem no debate onde se limitou a fazer o que tinha feito até aí: arengar. Nem mais. José Pacheco Pereira frisou ainda a espécie de suicídio que Carrilho cometeu ao tentar “ser popular”, coisa que, segundo Pacheco Pereira, não se coaduna com o seu estatuto intelectual. Foi por aí que Carrilho perdeu, na sua opinião. O que José Pacheco Pereira disse foi mais ou menos isto: “Pessoas como tu e como eu, intelectuais de carreira, académicos, filósofos, não fomos feitos para andar em feiras nem com meninos ao colo e muito menos para darmos o dito pelo não dito como tu fizeste com o tal (não) cumprimento que deixou de o ser dias depois, frente às câmaras e sorridente. Foi pior a emenda que o soneto e deixaram de confiar em ti”. E foi. É que, ainda segundo este convidado, há que distinguir popularidade de notoriedade e foi isso que Carrilho não fez. Que era notável, era. Que não era popular, isso não e os resultados eleitorais provaram-no. Houve uma muito grande confusão no cérebro de Carrilho quando pensou que a vida pública permite “momentos de privacidade” – no caso, dentro de um estúdio. Carrilho pensava que frente às câmaras poderia sorrir, sorrir sempre e que, mal a luzinha vermelha apagasse, pudesse ser outro, não se lembrando que há câmaras que não trazem luzinhas. Nós sabemos que é assim, na realidade. Mas este foi apanhado. Também pensou que se podem “mandar umas bocas” num livro sem colocar pontos nos is e chamar os bois pelos nomes, mandando para o ar uma teoria de conspiração mal explicada. Até pode ter razão – e nós sabemos que, pelo menos em parte, a tem – mas cabe-lhe mostrar isso mesmo. E, no fim, pensou que poderia acusar um jornalista como Ricardo Costa sem mais nem porquê sem que este, no intervalo do programa, fizesse uma ou duas chamadas telefónicas. Ficou mal, muito mal. Na posse de tanta informação explosiva – ele e Emídio Rangel – que se configura em crime, onde estão as queixas às instâncias de investigação apropriadas? E estas não irão fazer perguntas a Carrilho? E até que ponto esta conspiração jornalístico/empresarial poderá ser provada sem recurso a averiguações ao mais alto nível? É que, a existir, tal deverá assumir proporções épicas… Para já, o único processo em curso é o que a agência de comunicação lhe moveu com o desafio explícito de levantamento de imunidade parlamentar, ao que não respondeu. É por estas e por outras que prefiro chamar ao livro “O Código Carrilho”. Agora, basta-nos esperar pelo filme. Esperemos bons actores, ao menos… melhores que Carrilho.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

 

Deputices

Estive a ler o “Público” e o meu olhar prendeu-se num artigo extenso que lá anda, apesar de na primeira página aparecer somente como um quadradinho daqueles que ninguém lê. Acho que, se calhar, ainda não justifica letra gordas. Se calhar (e muito provavelmente) nunca há-de justificá-lo. Ainda assim, deu para a escrita de hoje. A vida dos deputados é de todos nós (des)conhecida. Chegam, quando chegam, sentam-se, discutem, bravateiam, legislam, enfim, fazem tudo o que nós gostaríamos de fazer e ser bem pagos para tal. Os deputados, seres humanos eleitos pelos restantes para digna representação do que se convencionou chamar círculo eleitoral – uma vez que as pessoas “não numéricas” pouco importam para o caso – deveriam ser elementos produtivos e responsáveis do género “isto é o meu trabalho, há gente que me confiou os seus anseios, por isso vou todos os dias à Assembleia da República. Entro lá por volta, sei lá, das 08:30h, trato da papelada, das votações, das comissões – ou lá o que eles fazem – e, depois de tudo acabado, dou uma olhadela às cartas e mensagens que recebo dos eleitores e não só (porque, sendo deputado, sou-o pelo meu povo e não só por quem votou em mim) e, finalmente, de consciência limpa de trabalho esforçado e feito conforme o melhor que sei, vou embora beber uma cerveja e cavaquear com os amigos.”, mas sabemos que não o são. Existe um tal “Canal Parlamento” – Pra Lamento, como costumo chamar-lhe – que revela a imensidão de espaços vazios e o afinco com que os – poucos – presentes trabalham na Assembleia. Enfim, quem sou eu para discutir tão hermética coisa? Agora o PS quer ter revistas as condições da suspensão de mandato dos deputados. Segundo estes, o objectivo de tal revisão é o de “credibilizar a imagem do Parlamento e acabar com um conceito discricionário que hoje permite demasiada rotatividade dos deputados”, palavra de Ana Catarina Mendes, segunda na bancada socialista. Esta revisão implica a eliminação (ou rectificação) da alínea d) do artigo 5º do estatuto dos Deputados – como eu gosto de dizer estas coisas! – e tem desde logo a oposição do PCP, BE, PP e Verdes, estando o PSD como o tolo a meio da ponte – que é, de resto, o papel a cumprir nesta “travessia do deserto - por diversas e variadas razões. A opinião do PSD é que está tudo muito bem mas se “a ideia é branquear a falta de quórum estamos contra”… como se não o soubessem e como se realmente não estivessem de acordo. Segundo Paulo Rangel da comissão de assuntos constitucionais, esta proposta é uma “deriva populista e demagógica” e poderá ser inconstitucional. Constitucionalidades aparte, o que é que não é, na arte política nacional, uma deriva populista e demagógica? Adiante. António Filipe do PCP e Luís Fazenda do BE parecem estar de acordo em considerar que o problema é uma falsa questão e que esta medida impediria a rotatividade, arma parlamentar muito eficaz especialmente nos pequenos partidos. Luís Fazenda vai mais longe e diz que a medida, a ser aprovada, afastaria os jovens do Parlamento fachando as portas à conclusão da vida académica e coarctando a carreira profissional. Perceberam? Eu também não. António Filipe acrescenta que tal medida poderá ser inconstitucional pois a matéria de substituição de deputados deve ser do foro do Estatuto do Deputado e tratado em sede própria. Para obter a validação como lei orgânica teria ainda de ser aprovada com maioria absoluta. Vitalino Canas, do PS diz por sua vez que a Constituição determina que a forma de substituição dos deputados deve constar na lei eleitoral. Perguntamos nós o porquê de tanto sururu? Sabemos que qualquer trabalhador terá, no mínimo, que justificar faltas ao trabalho e estamos bem ao corrente das implicações que a falta de tal justificação acarretam ao seu futuro como colaborador de determinada empresa. Ao que parece, para os senhores Deputados, dignos representantes desses mesmos trabalhadores, a situação não é a mesma. O que a proposta apresenta é simplesmente o seguinte: A suspensão do mandato de Deputado restringir-se-ia a 3 casos - Doença prolongada (de 30 a 180 dias) - Maternidade e paternidade - Seguimento de processo judicial em curso. É demais? É exagero? Não sei. O que sei é que casos existentes deixariam de fazer sentido. Como o de Santana Lopes, do PSD, que está suspenso sem qualquer tipo de comunicação ou justificação; o de Marco António Costa, do PSD, vice-presidente da Câmara de Gaia que justifica a sua suspensão pela não remuneração do cargo autárquico (para o efeito passou a vereador a tempo parcial), embora por princípio após os 6 meses a que tem direito devesse reatar funções na Assembleia da República; o de Jorge Moreira da Silva, ainda do PSD, que exerce funções na Casa da Presidência e que, à semelhança de Marco António Costa, tem compatibilidade assegurada pela actual estado de coisas; Fernando Rosas, do BE, actualmente a dirigir um Mestrado no Brasil mas do qual a Assembleia não tem conhecimento e cuja rotação do lugar é feita à semelhança do seu colega de bancada João Teixeira Lopes; o de José Manuel Seguro a fazer um Mestrado em relações Internacionais na Lusíada e que declara assim uma suspensão por Desenvolvimento de Carreira Académica. Note-se que neste momento os deputados de Castelo Branco são já inexistentes: 1 é Primeiro-ministro, outro estudante, um outro ainda autarca… E pergunto: qual o problema da proposta? É que eu, que pouco ou nada compreendo dos mistérios da organização política acho, muito simplesmente, que os Deputados são trabalhadores como quaisquer outros e devem estar sujeitos a leis que determinem as coisas elementares como os direitos e deveres de empregados e empregadores. Infelizmente dá-me a impressão que o que eles querem mesmo é a reforma ou a pensão de reintegração, de preferência juntamente com a oferta de uma direcção numa empresa pública qualquer. Deputados? Venha o Diabo e escolha!

Quarta-feira, Maio 17, 2006

 

Quem Manda?

De acordo com o último balanço oficial da Polícia Civil, São Paulo já foi palco de 251 ataques no âmbito do crime organizado desde a passada sexta-feira, que provocaram, pelo menos, 133 mortos, entre os quais 71 suspeitos. Até terça-feira, 115 pessoas já tinham sido detidas e apreendidas 113 armas.
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O PCC poderia ser uma de muitas coisas. Poderia ser um partido político, uma organização de direitos humanos, um grupo de guerrilha, poderia mesmo ser uma organização terrorista.
É realmente esta última definição a que lhe assenta melhor.
O PCC é, na realidade, um grupo criminoso - o Primeiro Comando da Capital - que conseguiu colocar a cidade a ferro e fogo por ter visto os seus líderes deslocados para uma prisão de alta segurança, decapitando assim a organização.
O que o PCC conseguiu foi paralizar uma região inteira, provocar mortes e destruição, vandalismo e restantes acções que resultam desse estado de guerra.
O PCC é um grupo de assassinos, bem vistas as coisas.
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Felizmente o governo brasileiro conseguiu um acordo com o PCC que terminou com este estado de coisas.
Infelizmente o governo brasileiro foi obrigado a fazer um acordo com o PCC para terminar este estado de coisas.

 

Descodificando

Código Da Vinci recebido com assobios em Cannes O Festival de Cannes reservou uma gélida recepção ao filme O Código Da Vinci, apresentado terça-feira à noite a cerca de dois mil jornalistas que o receberam em silêncio, com risos e alguns assobios na véspera da projecção oficial. VISAO ONLINE 17 Mai. 2006

O filme, realizado por Ron Howard, reproduz, quase sempre fielmente, a trama do romance do escritor Dan Brown, com 40 milhões de exemplares vendidos, e estreia em Portugal na quinta-feira, 18, rodeado de expectativa. No entanto, a apresentação em Cannes não foi animadora e não mereceu os aplausos dos cerca de dois mil jornalistas que assistiram à projecção.Tom Hanks, que desempenha o papel do professor de semiologia Robert Langdon, revela a Audrey Tautou, que encarna a jovem francesa Sophie Neveu, que é a descendente de Jesus Cristo. Mas esta divulgação, chave tanto do livro como do filme - segundo a história de Dan Brown Jesus e Maria Madalena teriam concebido uma descendência perpetuada até agora que a Igreja católica procurou desesperadamente esconder - foi acolhido com risos, assobios e nenhuns aplausos na sala Debussy do Palácio dos Festivais. O filme será projectado esta quarta-feira na abertura do Festival, numa noite gala onde as reacções são tradicionalmente menos críticas. O livro é condenado pelos representantes católicos do mundo inteiro que apontaram o dedo às «falsas-verdades» contadas.

Ofereceram-me, à data da sua publicação em Portugal, a polémica obra de Dan Brown que, de uma assentada, li de fio a pavio.
Como um bom policial que é, tem capítulos curtos, com ritmo e suspense bastante para que se inicie o capítulo seguinte sem se dar por ela. Não sofre de incongruências e é de linguagem simples e apelativa - de fácil digestão, portanto.
Já é sobejamente conhecida a trama e os fundamentos da história aí relatada e agora apresentada em filme como são sobejamente conhecidos os contraditórios que deram, por sua vez, origem a uma miríade de livros acerca do assunto, melhor dizendo, do "Código DaVinci" - pois, a bom ver, parece ser o livro e o que lá se diz a fonte de discórdia.
Então de verdade em verdade, de meia em meia verdade, de falsidade em falsidade, tem a referida história dado alimento a sei lá quantos escribas, cada vez mais, que bebem dessa fonte e se sentam à sombra comum da "Dinastia Merovíngia"... ou coisa que o valha.
Claro que, para um cristão esclarecido, a história até apresenta algum encanto. Ver finalmente o Cristo como homem integral, homem com paixões terrenas e, quem sabe, sexo - ai! - apresenta uma ligação maior e mais forte com o sagrado mas deita por terra toda uma história construida ao longo de milénios pela borda fora.
Para um cristão "de Natal", a história passa ao lado, ficam apenas as "bocas" que se mandam, o que é um pouco mais perigoso.
A igreja cristã, especialmente a Católica, têm apoiado a sua fundação em premissas de índole discriminatória relativamente aos seus ministros (que devem ser celibatários e abstinentes), às mulheres (em plano subalterno na "cadeia alimentar") e, mais recentemente, em tudo o que mexa e não se reveja nas cartas de S. Paulo, por exemplo.
Evidentemente que uma suposição da Igreja como um Matriarcado não é vista com bons olhos.
Coisa engraçada de observar é o autêntico pânico que isto veio a causar dentro da Santa Sé.
Chegamos ao ponto de a própria Igreja católica ter um site chamado "Jesus Descodificado"!
Tudo isto para quê?
Para continuarem com uma doutrina de submissão à noção de pecado, no credo absoluto em dogmas e "desígnios insondáveis", mistérios e livre-arbítrio incutidos numa população que crente todavia não é, na sua grande maioria, "praticante"?
Deixem-se disso!
O meu conselho acerca do livro é: não é uma "obra maior" mas vale a pena ler como entretenimento.
O meu conselho acerca do filme é: se fôr como o livro, é capaz de dar um bom "thriller", vão ver.
Aos católicos emperdenidos: paciência. A idade média foi lá atrás.

Terça-feira, Maio 16, 2006

 

O Baby-Boom Socrático

O meu Filho nasceu em 1990. Por essa altura éramos um jovem casal com 20 e poucos anos e, dada a conjuntura deste país – que, no referente ao assunto não me parece ter sofrido grandes alterações – decidimos parar por aí e não alongar a prole. Temos assim conseguido manter um nível de vida relativamente confortável para os três e dado ao “menino” tudo o que, supondo mais um ou dois irmãos, ele não poderia ter. Está agora no 10º ano em escola recomendada, tem o seu quarto completamente equipado com toda a panóplia de conforto e extras (hi-tech, playstation, coisas assim), veste bem e habitualmente caro, é bem alimentado (e em demasia), enfim, tem uma quantidade de privilégios assegurados até à data e um futuro que, embora não totalmente planeado é possível – coisas que poderia não ter se tivesse irmãos. Bem sei que, como diz a minha mãe, “antes de comer chega para todos” mas… As recentes descobertas acerca do país, da segurança social, da falta de natalidade, do avanço da velhice, vêm trazer ao governo – e aos portugueses – a necessidade de incentivar a taxa de procriação. Quanto a isso, nada de novo. Qualquer país que não queira estagnar no charco miserável das pensões de reforma – porque são miseráveis para a grande parte dos pensionistas, não por outro motivo – deve potenciar o aparecimento de sangue novo, deve impor a necessária rotação de efectivos e recursos com vista a dinamizar a produção, os serviços, enfim, a economia. Os países que primeiramente pensaram nisso optaram, também eles, por tipos de compensação aos casais que tenham um determinado número de filhos. Caso paradigmático é o francês cujo sistema social de apoio concede às jovens mães uma compensação monetária, uma pensão, um vencimento, que lhe permita criar a criança num ambiente propício e saudável. O nosso governo optou pela negativa e fez manchete no “Financial Times”. Sócrates decidiu assim que os casais que consigam dois filhos terão bonificação no regime de pagamento das contribuições o que significa que quem, como eu, tenha um filho só, se veja penalizado nesse pagamento. O que fazer no meu caso? Ter agora outro filho? Compensará a diferença? Terá este agravamento alguma coisa a ver com justiça social? Vai ser a minha penalização que vai dar a oportunidade a outros de educarem e proporcionarem o bem-estar e conforto a, pelo menos, dois filhos? O que Sócrates não faz pois não tem hipótese, viabilidade, tomates, é realmente ajudar, apoiar os casais que contribuam assim para o aumento de natalidade do país. Resolve, em vez disso, arranjar a qualquer custo dinheiro para os cofres do estado com uma justificação tão válida como qualquer outra. Ficamos à espera de ver as maternidades – agora com um carimbo que lhes atesta a segurança – ficarem cheias de crianças, um autêntico baby-boom socrático que irá ter proporcionadas todas essas garantias e condições. Que a penalização do meu Filhos sirva para isso, ao menos.

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